Pois muito bem, Poeta!
Antes eu tenha sido mesmo mais mentiroso que traficante
Como disse você.
Só não leve a mal, pois não houve nisso quase nenhuma mesquinhez
Certo, confesso!
Tive pretensões de criar alguns efeitos frasais
Conjecturando fins de noite e gravidez de lua.
Quanto a isso estava certa: fui mentiroso
Entenda, porém, o receio de parecer arrogante e pretensioso.
Um receio mais por auto-defesa do que por migalha de humildade
Também agora isso me faz bem confessar.
Mas veja bem, Poeta
Como eu disse, o que não quero é compromisso
O que deve ter visto — sei da sua perspicácia — é talvez
Um desejo camuflado mas pulsante de ser tomado como
E não de se autodenominar Poeta
E aceito que negar-se com palavras belas — é o que diz —
Soou bastante falso.
Assim, sou fingidor. Também confesso!
Contudo, aceitar que todo poeta é um fingidor
Não me obriga a pensar que todo fingidor é poeta.
Até porque a lógica disso a que me refiro é bem mais refinada
Então, pra acabar com essa discussão improdutiva
Mas que apesar disso anda movimentando toda a cidade,
Dos bares aos jornais, dos consultórios dentários às lojas de
Conveniência,
Está bem, Poeta! Aceito!
Sou arrogante, mesquinho até, traficante de palavras macias
E acima de tudo mentiroso, falso e fingidor
E penso ainda que não sou poeta
mas se alguém vir neste meu palavreado
"alguma possibilidade de estrelas"
Uivo para a lua como um bom poeta
E aceito, sem mais um pio, tal carinho
quarta-feira, 30 de maio de 2007
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