quarta-feira, 6 de junho de 2007

Poema sobre Areia

Nada havia sido tão bom assim.
Nem a noite de sexta, nem o passeio em vão
buscando outra solidão em disponibilidade.
De volta, noite declinando, esperança cortada ao meio,
solidão interamente intacta
Intacto, inteiramente solidão.

Olho para a tela que agora é minha lua mais bela,
ouço uma vez mais as palavras de minha dama
Que reconstrói tempo, mundos e fundos
Para que logo se desfaçam em nevoeiros de areia

Assim, ao ouvi-la me inflama um esboço melhor de mim.
Me toma um desejo de ser servil,
De cativar estrelas e domar lobos
Só pra guardá-los nos bolsinhos do casaco
E depois contentar crianças.
De dominar o leve sono que inspira minha dama
Nessa ilusão que me empresta e na qual me iludo por querer.
Ludo querer que vem assim de um saber do sabor do bom.
Afinal eu sei.

E como o pássaro que desejasse o alçapão
Entro aos pontapés na armadilha de sua lusa língua.
Roço na ponta dos pés a sua lisa língua.
E se saio da tela e me abalo em pensamento é que a alma cisma
Que há uma cisma:
Onde estaria a minha dama?

Poeta de palavras tão belas e repletas de insidiosa força de atração.
Atração de força insidiosa de repletas e belas tão palavras de Poeta.

Onde está a Poeta? Onde está? Onde?
Flanando,
Como antigos colegas de ofício?