Não passo horas burilando palavras
Elas não tem tempo de olhar para mim.
Que dirá contar-me algum de seus segredos
Então, ou elas despencam, aparecem, materializam-se ou nada
feito.
Eu nada posso contra essa resistência dos vocábulos que me
cercam.
Deveriam sair como bolhas de sabão, mas não, não SAEM
Saem regurgitadas, esboço amarelecido e não lido, esquecido
Pelas horas, pelos olhos. Nas areias de um sem-fim.
Não tem HD, memória RAM ou outro afã qualquer que adie o
fluxo verbal
Há ou não há
Ah!
Ave!
Salve!
Viva vida!
Viva a vida!
Que é o presente...
Que é um cais de gente...
E guarda um caos permanente...
Que é o segredo do enredo do mistério...
Que é o sopro e é o pulso e é o assombro...
Que um novelo cheio de pontos, cheio de nós...
Viva a vida elástica que se expande até não querer mais
E vai... Parte para baixo da terra, parte para junto Deus