quinta-feira, 31 de maio de 2007

Londrina

Dia-a-dia eu me descubro um pouco por tuas ruas cruzadas
Costurando teus vincos de alamedas e avenidas.
Espaços que me trazem tempos, de afetos

Andei, respirei tua calçada aumentativo
Que de tão repleta chego a pensar-me não tão sozinho
Acendi vela e suspirei teu suburbano submundo
Que existe como nunca

e que quase sempre tem me feito esquecer do café
da manhãzinha, da tardezinha,
De outros tempos...


Capital do café... Café!
Será que todos os teus meninos o sorvem
Ou são esquinas e favelas que sorvem os teus meninos?

Desde cedo te vi e ainda não tenho os olhos cansados
Não me canso possivelmente porque és metrópole dentro de viela

E o contrário disso
Gosto dessa tua contradição.
Fere quase sempre, mas também aninha.
Um teu jeito que é cada vez mais meu jeito de ser o teu

Para olhos de filho, sei que és pintura;

Para bocas de filho, sei que és aflição

Contudo, sem nada, ainda te quereria
Em dia de chuva que em dia de trânsito que não flui desaba
Em dia de sol que em dia de trânsito que não anda arde
Teus Kaingangs, ainda que desprezados
Quase gangues traficando orquídeas dentro de balaios
Bosques, lagos, matas... meus afetos



Terra vermelha...
São os teus meninos que levantam tua poeira vermelha
Em dia de brincadeira
Ou são becos obtusos que pulverizam os teus meninos?


Cidade, eu te vigio porque sei que me espreitas
Eu te crio desde quando tu me crias
Sei que te pertenço tanto quanto te retenho

Amo-te porque transcendes
Teu concreto amado
Afeto devotado a rocha interlocutora
Que assim respira, pulsa e me apaixona

Ah, cidade, tu cravas minha visão

Como um trem de ferro e delicadeza.

Se me ignoras, peço água, peço arrego, peço Arrigo

Ah, cidade, incomoda comigo!

Se tentei desenhar-te num poema
Se tentei na canção te colorir
É porque ao sonhar-te sonhei bem
Dei de cara com tua noite
Que ainda descia tranqüila

Tranqüila

Tranqüila.



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