sexta-feira, 22 de junho de 2007

Nem Cà nem Lá

Sol da tarde que me invade e me invalida
Por que minha vida é tão obscura e paciente
Em tão hora de acontecimento?
Seria o mormaço?
Ou estes versos incontemporâneos tão fora de lugar?

Por que porra-do-caralho-tomar-no-cu assim me faço mais compreensível?
Malditas sejam as merdas dessas gavetas!

Eu vou me perdendo assim em antiguidades mesmo
Vou até as brejeirices românticas e sertanejas se for preciso
Ah, quem dera decorar sertões! Quem dera!

Estou cansado de pingüins de geladeira
Roupinhas customizadas e piercing

dores de grife

Queria um pouco de ardência bruta
Queria mais folha de papel e caneta
Olho no olho, tête-à-tête, tato a tato, desvario!

Não quero ficar aqui a dar de ombros
Olhando a merda toda boiando e eu sorrindo
Como se só me restasse essa opção:

olhar a merda toda boiando e eu sorrindo

Mas também se eu quiser falar de alaúde, se me iludir a lira?
“Heróis morreram de overdose”?
Meus ex-amigos estão no poder?

Pros que veneram pingüins na geladeira
Deve ainda existir alguma verdade: A do foda-se
Roubo-lhes essa verdade

E as putas? Como estão nas ruas! Nuas sem-teto e luz vermelha!
Desamparadas, as flores!

Eis aqui um egoísta.

Um comentário:

Cynthia Harte disse...

Sol da tarde que me invade e me invalida
Por que minha vida é tão obscura e paciente"

Poeta,que versos!su luz muestran tu oscuridad,y yo tambien soy egoista,como las calles,me quedo con ella,para que ilumine mi tarde gris.
Hermoso poeta.Un abrazo fraterno que no nos pierda.