quinta-feira, 7 de junho de 2007

Para lavras de poema

Tenho chorado demais
Ando vertendo lágrimas sobre lágrimas
Riachinho de amargura que se rebela em
Vazante confusa sem leito para descanso
Onda para um lado, onda para o outro
Afundo embarcações e me refaço com dilúvios
Represa em desmantelo que irrompe aos berros
Um silêncio então já escasso.

E o tempo odioso se esqueceu de caminhar

Tenho sorrisos de menos, menos deleites tenho vivido
Ando a tirar leite de pedra e as pedras se riem de mim
Por eu ser feito de matéria mal amalgamada
Mal amada, armada em musgo de dureza inválida

Mi pálida sonrisa camina una calle perdida
Enquanto eu caminho uma outra sem aresta
Que só existe em meus sonhos não lembrados
E não me leva além do aquário

Eu choro mesmo água de aquário

Vaso ruim que se quebra em miudezas irreconstituidas
E espalha o choro que carregava.
Líquido que agora desliza em finíssima camada horizontal,
Caminha em todas as direções e borra de sentimento a calçada empoeirada

Uma pena de plantão há em meu costado direito
Eu sinto um dó de tocaia por sobre meu ombro esquerdo
Ais, com punhais e adagas seguem de prontidão em meu peito
A rechaçar riso desavisado
A me impor choro com gosto e de soro caseiro

E as horas diabólicas em coma

Mas me resigno, dou o braço a esta minha companheira,

Minha Era de momento
Ofereço-lhe minha casa, dou a ela minha camisa,
Sirvo-lhe comida e minha cama para que repouse
Porque sei que se a tenho perto e me faz sofrimento
Me dá de presente essas dores de que posso falar

E ainda que se demore ao meu lado
por mais que as horas emperrem,
E que o tempo reflita horas antes do passo adiante,

Ela partirá
E virá o inverso desse verso em que verso agora



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