sexta-feira, 25 de abril de 2014

Segredo


O passado anda me mostrando
suas unhas e dentes afiados
Roça as paredes a aguçá-los


e me olha com olhar enviesado
Ronda pelas minhas cercanias


(ontem mesmo eu o vejo)
e quer me fazer estragos.

Eu penso: - Infeliz!
e penso novamente: - Infeliz!
Mas finjo calma.

A mim, que só andei a lhe cuidar do bem?
Tentasse uma outra porta,
não desta minha casa, pois
nem pelos fundos, ao dar a volta,
encontraria livre vão ou fresta se quer.


Eu juro, juro

Não se trata de Futuro
fico só, só com meu mundinho pequenino de menino,
minha verbezinha rala, minha média unidade
opacilenta e silenciosa. Ociosa de tanta vontade nula

Fico só. Com meu presente incompletamente só meu

Mantenho-me com um amigo só (que só a outro tem),
da casa de madeira azul que bem conhece
Mantenho-me com alguns trocados e meu café comigo
Recolho-me sem pressa, feito mais um,


em mais um de meus surrados recolhimentos cotidianos,
aos meus cacos tão nada-novos.
Recolho-me aos fins de tarde sem livro

Que recolha então aquelas unhas,
Que recolha aquele olhar oblíquo,


Que recolha a sanha e não me mal trate,
Que trate de cerrar os lábios de batom vermelho
 



 

Um comentário:

Caru disse...

Comentário pretensioso: Ex pessoas atuais na gente...
Senti mais de você aqui, mesmo conhecendo em você muito mais o silêncio que a verdade..
juro , juro ( gostei disso)

Pessoa intimidadora, faz de um tudo e faz muito bem ...

Bjos